PRISCILA MARIA COLACIOPPO
Artigo elaborado baseado em partes do Trabalho de Conclusão de Curso, Autora do artigo: Profa. Larissa A. Bachir Polloni – CETN
Nesta pesquisa foram usados pontos específicos de tonificação para o trabalho de parto e parto como IG4;BP6;BP8;E36;B60;B20;B21;R7 e outros, assim como pontos auriculares dependendo de cada situação do trabalho de parto e parto. O uso de moxabustão também foi realizado (Huang, 1985; Ying et al, 1985; Cardini et al,1993; Maciocia, 2000).
No trabalho de parto, com as contrações regulares, a cérvix uterina se dilata chegando a 10 centímetros de dilatação, após a dilatação completa do colo uterino ocorre a expulsão fetal. Porém o trabalho de parto na maioria das vezes não é tão simples como se descreve na literatura. A mulher que se prepara para o parto domiciliar tem as contrações uterinas espontâneas mas muitas vezes as mesmas não são suficientemente eficientes para a dilatação completa da cérvix uterina.
Maciocia (2000) refere que mesmo com a eficácia da acupuntura na intensidade das contrações muitos bebês não nascem devido a desproporção céfalopélvica mas isso ocorre em raros casos. No Brasil essa “desculpa” é usada indevidamente por muitos profissionais que assistem ao parto para a indicação de uma cesaréa. O autor acima faz uma diferenciação entre dois tratamentos de acupuntura no trabalho de parto:
1. Deficiência do Qi e sangue: usam-se os pontos E36; BP6; R7; B67; B60; B20; B21.
2. Estagnação de Qi e sangue: está ligado ao medo da mulher antes do parto com trabalho de parto prolongado e dor nas costas. Apresenta náuseas, vômito e nervosismo. O colo uterino fica tenso. Os pontos usados são: IG4 e BP6 pois induzem o trabalho de parto; VB 34 para cérvix fibrosa ou dura; B67 induz o parto.
Sendo assim, a mulher no trabalho de parto e parto pode apresentar problemas emocionais e físicos que afetam o desfecho final do mesmo, isto é, o parto é instintivo e emocional. Traumas, desejos e emoções afloram durante o trabalho de parto e métodos alternativos como a acupuntura e moxabustão, o apoio emocional e físico são necessários na assistência à mulher no parto.
Metodologia: Esta foi uma pesquisa clínica de origem quantitativa com uma amostra pequena de 10 mulheres participantes. Foi solicitado as mulheres participantes que assinassem o termo de consentimento livre e esclarecido para a realização da pesquisa.
O estudo foi realizado no domicilio da mulher grávida ou no hospital de retaguarda para o parto domiciliar. Foi respeitada a escolha da mulher quanto ao local do parto. No estudo, foram incluídas as parturientes que atenderam os seguintes critérios: ter optado por parto domiciliar, foi incluída a mulher que teve transferência de parto domiciliar para hospitalar, ter feto único, vivo, em apresentação cefálica. O estudo baseou-se na experiência profissional da pesquisadora e na literatura disponível relacionada a trabalho de parto e parto com uso de acupuntura e moxabustão. A participação foi totalmente voluntária, assegurando-se o direito de exclusão do estudo a qualquer momento, sem prejuízo ou interferência na assistência prestada.
Os pontos utilizados foram: IG4; BP6; BP8; F3; F8; R3; R7; E36; VB34; B60; B67 com agulha e moxa; VC4; VC6; B23, 24 e 26 (moxa); VG2 e 3(moxa). Ponto extra Yintang. Em alguns casos foi usado pontos auriculares com semente de mostarda.
OBSERVAÇÃO: Os pontos acima foram eleitos conforme a literatura mas não foram usados concomitantemente em todos os casos.
Com relação à idade das parturientes, a maioria das mulheres (80,0%) tinha mais de 25 anos sendo a idade mínima e máxima de 25 e 37anos, respectivamente. A maioria das mulheres (100%) era de cor branca. Quanto à escolaridade, a maioria (60,0) tinha curso de pós-graduação, mestrado ou doutorado e (30,0%) tinha somente a graduação de nível superior. No que se refere à presença de acompanhante de escolha da mulher ou da doula todas as participantes da pesquisa tiveram a presença de acompanhante no parto além das parteiras. De todas as participantes do estudo (30%) tiveram bebes de pós-termo isto é, entre 41 e 42 semanas de gestação.
Tabela 2. Características dos recém-nascidos. Sorocaba, 2012.
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A (Tabela 2) acima mostra o peso dos recém-nascidos, 60% tinham entre 3000 e 3495g. Houve apenas um caso acima de 4000g. O Apgar do primeiro e quinto minutos de vida mostrou que a maioria dos neonatos (90,o% e 100%, respectivamente) teve índice maior ou igual a sete, indicando boa vitalidade ao nascer.
RESULTADOS: Tabela 3. Distribuição do número de parturientes que receberam o tratamento de acupuntura e/ou acupuntura e moxabustão no trabalho de parto para ativar as contrações uterinas. Sorocaba, 2012.
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De acordo com a (Tabela 3) acima a maioria das parturientes (80,0%) tiveram contrações uterinas em maior número e de maior intensidade quando foi aplicado tanto o gtratamento de acupuntura somente com agulhas ou quando os dois tratamentos de acupuntura e moxabustão realizados simultaneamente. A maioria quando as agulhas foram colocadas já sentiram a mudança no padrão das contrações uterinas. Como mostra a (Tabela 4) abaixo a maioria das parturientes (75%) tiveram o trabalho de parto ativado pela acupuntura e moxabustão com posicionamento correto da apresentação cefálica no parto e (25%) delas não tiveram posicionamento correto da apresentação no parto.
Tabela 4. Distribuição do número de parturientes que receberam o tratamento de acupuntura e/ou acupuntura e moxabustão no trabalho de parto para ativar as contrações uterinas e posicionar corretamente a apresentação fetal. Sorocaba, 2012.
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A (Tabela 5) abaixo mostra a distribuição de parturientes pelo local do parto, isto é, onde a mulher deu a luz e revela que (70%) das mulheres deram a luz no domicílio e uma mulher (10%) no hospital. As duas (20%) parturientes que foram transferidas do domicílio para o hospital foram as mesmas que a acupuntura e moxabustão não surtiram o efeito desejado pelo tratamento.
Tabela 5. Distribuição do número de parturientes de acordo com o local do parto. Sorocaba, 2012.
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DISCUSSÃO: Para a análise dos resultados deste estudo o aspecto essencial foi a avaliação do aumento de intensidade e número das contrações uterinas no trabalho de parto e parto contribuindo desse modo para um desfecho que era o parto espontâneo vaginal no domicílio com abreviação do tempo de trabalho de parto. Assim sendo, quando o tratamento de acupuntura e moxabustão foram usados como mostra a Tabela 3 em 80% das pacientes o sucesso foi obtido e o desfecho esperado que era um parto sem intervenção de drogas, como a ocitocina. No caso desta pesquisa foi possível incluir 10 mulheres devido ao tipo de atendimento restrito que é o parto domiciliar e o resultado conforme mostra a Tabela 4 além da abreviação do tempo do trabalho de parto devido ao aumento da intensidade e número das contrações uterinas com o uso da acupuntura e moxabustão principalmente no ponto B67 ocorreu o correto posicionamento da cabeça fetal. Desse modo o posicionamento da cabeça fetal adequada contribuiu para abreviação do período expulsivo do parto, isto é, para o nascimento do bebe.
A maioria dos estudos de acupuntura são sobre analgesia de parto. Porém Kubista et al.(1975) mostrou que é possível induzir o parto através de pontos de acupuntura. Após esse artigo outros autores fizeram estudos a respeito da indução do parto com o uso da acupuntura.
Os pesquisadores Farben et al (1994) fizeram um estudos com mulheres com colo uerino favorável para indução do trabalho de parto e usaram estimulação elétrica nos pontos para indução obtendo resultados favoráveis sem o uso de ocitocina que é a droga indutora tradicional usada na clínica obstétrica da USP para esse fim. Relatam que com o uso da acupuntura mãe e feto foram beneficiados com o tratamento.
O estudo de Yamamura (2001) mostrou que para a indução do trabalho de parto associa-se os pontos B67; IG4, F3 e BP6. Com o uso desses pontos pode-se obter: harmonização do Qi do Xue ; fortalecimento do aquecedor inferior; o feto fica calmo e o trabalho de parto se harmoniza; dispersa energias perversas e clareia a mente.
CONCLUSÕES: A acupuntura e moxabustão são eficientes na indução das contrações uterinas não provocando efeitos secundários ou indesejados inerentes ao medicamentos utilizados para esse fim.
Os estudos indicam que a acupuntura tem um efeito similar ao hormônio sintético ocitocina e com o uso dos pontos específicos à indução do trabalho de parto a ocitocina endógena é liberada e as contrações uterinas aumentam em número e intensidade.
Estudos que utilizem o recurso da acupuntura e moxabustão deveriam ser mais divulgados e usados pois não traz nenhum prejuízo à mulher e seu concepto.
Portanto, oferecer às mulheres alternativas baseadas em evidências científicas para favorecer o parto normal, com a adoção de práticas que não representam risco adicional, deve ser estimulada.
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