ARTIGO CETN BAURU – Maio 2017
Autor do TCC: Valeria Winckler Fernades
Autora do artigo: Carla Ceppo
Sob a ótica ocidental, o diagnóstico de capsulite adesiva ou ombro congelado é uma patologia de ordem inflamatória, que acomete o ombro e suas estruturas adjacentes. Causando ao indivíduo parestesias, dores intensas e principalmente limitações na amplitude dos movimentos, trazendo incapacidade funcional afetando de maneira significativa as atividades diárias do paciente.
O quadro clínico desenvolve-se em três fases, sendo a primeira denominada de aguda ou hiperálgica e a mobilidade é bastante dolorosa, há um aumento da dor noturna, pode ocorrer sudorese palmar ou axilar e há diminuição dos movimentos de rotação e abdução. Na segunda, denominada de fase de rigidez ou congelamento, a dificuldade de movimentação piora e na última fase, denominada descongelamento, há um processo de liberação progressiva e melhora da dor.
Para a MTC as ombralgias podem apresentar-se de forma crônica, aguda, uni ou bilateral. Segundo Loch e Sakai (2015) quando a estagnação de QI (energia), que passa pelos canais de energia do ombro for tipo YANG, acrescenta-se ao processo a dor, processos inflamatórios como bursite, tendinite, capsulite adesiva. Porém se for tipo YIN ocorrerão depósito de cálcio nos tendões. Ainda segundo este autor, persistindo a estagnação de QI e XUE (sangue) pode ocorrer um acometimento mais profundo, atingindo os órgãos (ZANG FU).
O objetivo deste estudo, foi analisar os benefícios da proposta terapêutica da associação de moxabustão a acupuntura sistêmica. Demonstrar que a associação destas duas técnicas da MTC, são efetivas para a diminuição da dor, otimização do tempo de recuperação dos movimentos e a redução ou supressão do uso de medicamentos na sintomatologia da capsulite.
A acupuntura é um dos mais conhecidos recursos terapêuticos da MTC, que visa restaurar o equilíbrio, utilizando agulhas em pontos específicos do corpo, que tem a propriedade de restabelecer o fluxo de energia.
A moxabustão é outra técnica da MTC, que através do calor produzido pela combustão da Artemísia, mais comumente usada; tem como finalidade principal mover o QI e o XUE. O calor das folhas de Artemísia restaura o fluxo de QI e XUE, provocando o aumento local da circulação sanguínea, promove o relaxamento e diminuição da rigidez muscular, entre outros benefícios.
HISTÓRICO e ANAMNESE: A.F., 45 anos, sexo masculino, casado; administrador de empresas. Não possui doença crônica preexistente, sedentário, não faz uso de medicamento diário. Começou a sentir dor no ombro esquerdo de intensidade leve, após 45 dias desenvolveu dor aguda no ombro e pescoço com limitação importante de movimento. Procurou serviço de saúde após 60 dias do início da dor. Recebeu diagnóstico médico de capsulite adesiva e iniciou tratamento com anti-inflamatório, analgésico e fisioterapia. Após dois meses e meio de tratamento ocidental sem nenhum sucesso, o paciente recorreu a acupuntura.
Na avaliação do paciente A.F., segundo a MTC, apresentou queixa principal, dor intensa no ombro esquerdo, irradiando para o pescoço, com rigidez e limitação severa de mobilidade e funcionalidade do ombro. Relatou como queixas secundárias, sono prejudicado, irritabilidade e sudorese acentuada a noite. Pulso superficial, fraco e fino; língua pálida e levemente aumentada, com saburra branca fina e leve fissura horizontal, úmida e ponta levemente vermelha. Na palpação do ombro esquerdo apresentou sensibilidade a dor, quando exercida pressão nos meridianos de pulmão, intestino grosso, intestino delgado e na região escapular no meridiano do triplo aquecedor.
TRATAMENTO PROPOSTO: O paciente realizou duas sessões semanais de 30 minutos, durante os três meses iniciais. Após esse período foi realizada uma sessão semanal até sua completa recuperação e alta médica, que ocorreu ao final do sexto mês. O material utilizado foi agulhas de 0,15mm e 0,20mm de diâmetro e 25mm e 30mm de comprimento. A Moxabustão foi realizada com bastões de Artemísia, o bastão aceso permaneceu a 1cm de distância da pele ou agulhas inseridas nos acupontos. Os pontos escolhidos foram alternados durante as sessões
Pontos Locais e Ashi: P1, P2, IG15, TA14
Pontos Regionais: ID11, TA15, IG14, VB21
Pontos Distais: ID2, ID3, IG4, F3, P7, E36, E38, B57, VB34
RESULTADO: Após o início do tratamento de MTC o paciente apresentou melhora gradual das dores, podendo suprimir o uso de medicamentos orais; iniciou a realização de tarefas leves devido ao retorno da funcionalidade da articulação de ombro. Até que ao final de seis meses de tratamento, o paciente recuperou totalmente a mobilidade e permaneceu sem queixas álgicas.
CONCLUSÃO: Diante dos objetivos propostos neste estudo, conclui-se que a associação das duas técnicas, proporcionou a recuperação da funcionalidade do ombro com ganho de amplitude de movimento e a analgesia, evitando-se desta forma um procedimento cirúrgico anteriormente sugerido pela medicina tradicional. Não podemos atribuir o mesmo resultado a todos os indivíduos, mas devemos levar em consideração os benefícios da MTC em quadros álgicos e principalmente na capsulite adesiva de ombro.
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