Fabiana Peixoto Giacon
Michele Favero de Agostini
Artigo elaborado baseado em partes do Trabalho de Conclusão de Curso, Autora do artigo: Profa. Larissa A. Bachir – CETN
A nossa relação com nosso corpo reflete, por um lado, o meio social e histórico em que vivemos, e, por outro, o tipo de vivência que este corpo experimentou ao longo da vida. O meio social vai dar as diretrizes daquilo que se come, dos hábitos que se cultivam, dos valores que se comungam e das práticas que se repetem. Já o meio familiar e afetivo, por sua vez inseridos num contexto maior, é o berço de muitos de nossos hábitos. A maneira como nos enxergamos e nos relacionamos com nosso corpo está intimamente ligada a essas duas variáveis que, por sua vez, vão ajudar a moldar aquilo que chamamos de auto-estima (FERNANDES, 2008). Quando tratamos o corpo de alguém, estamos mexendo também em suas emoções, na memória do seu corpo e, por isso, em seu passado também, na sua auto-estima e no seu Shen (FERNANDES, 2008).
A estética associada a acupuntura nada mais é que a junção e reelaboração do clássico com o novo, da milenar tradição chinesa com recentes paradigmas estéticos forjados pela nossa sociedade moderna. E, por isso mesmo, o tratamento a que nos propomos não é sintomático, uma vez que estamos babuscando restabelecer a harmonia interna, que, por sua vez, se manifestará externamente (FERNANDES, 2008). O princípio da acupuntura estética é o mesmo da acupuntura convencional: utilizar as agulhas em pontos específicos para estimular a produção de substâncias. No caso da acupuntura estética, a liberação de certas substâncias na corrente sangüínea aumenta a nutrição dos tendões, ligamentos e músculos, e colabora para a produção de novas fibras, colágeno, melhorando o tônus da pele. Por causa dessa atuação no organismo, a acupuntura estética pode ser usada para tratar rugas, flacidez, gorduras localizadas, estrias, celulite, acne e algumas patologias da pele, e tem se tornado um tratamento muito procurado por todas as faixas etárias.
A pele representa o maior órgão sensitivo do nosso corpo que recebe estímulos de temperatura, dor e tato. É o mais sensível dos órgãos, sendo o primeiro meio de comunicação do nosso corpo com o ambiente e proteção, apresentando várias funções: sudorípara;secreção sebácea; tamponante; queratogênica; de absorção; pigmentogênica; de termorregulação; respiratória; sensorial; defesa e proteção (GUIRRO & GUIRRO, 2002).
As estrias caracterizam-se por afecções dermatológicas, em sua grande maioria desagradáveis do ponto de vista estético. São lesões atróficas lineares paralelas, em geral obedecendo às linhas de clivagem da pele. Inicialmente são eritemato-violáceas, para mais tarde se tornarem esbranquiçadas. Surgem com maior freqüência na puberdade e, sobretudo, no sexo feminino. Podem ocorrer em pessoas com obesidade grave, no período gestacional e nos estados infecciosos. Pode estar relacionada ainda a algum comprometimento hormonal caracterizado pelo aumento de glicocorticóides, podendo ser evidenciado, por exemplo, na síndrome de Cushing e nas corticoterapias intensivas (gerais ou locais). Podem ocorrer ainda com o uso tópico ou sistêmico de esteróides, onde haja aumento excessivo de massa muscular, no crescimento intenso e rápido na adolescência etc (BORGES, 2006).
Quando surge, a estria apresenta uma inflamação dermal e vasos capilares dilatados marcam sua apresentação inicial, fazendo que se pareçam ligeiramente rosadas. Ficam mais escuras com o tempo, apresentando aspecto avermelhado-roxo. Posteriormente, após anos instauradas, as estrias assumem características branco-nacaradas, parecendo-se hipopigmentadas e fibróticas. Medem normalmente de 5 a 10cm de comprimento, podendo chegar até 15cm (BORGES, 2006).
MATERIAIS E MÉTODOS
Tratou-se de um estudo de caso, desenvolvido na residência da paciente, no período de 2 meses, totalizando 5 sessões.
A seleção da paciente foi realizada levando-se em conta os seguintes critérios de inclusão e exclusão:
- Paciente do sexo feminino;
- Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 1)
- Paciente sem nenhuma patologia dérmica;
- Paciente sem nenhum relato de quelóide.
- Paciente com condições psico-sociais satisfatórias.
- Assinatura do termo de consentimento.
Critérios de Exclusão:
- Presença de lesões de pele.
- Presença de doenças metabólicas e inflamatórias.
Procedimentos: A paciente foi submetida a uma avaliação estética no inicio do tratamento. Posteriormente foi realizado o tratamento com acupuntura, utilizando como recursos terapêuticos a sangria e a ventosa.
Localização das estrias: porção superior externa das coxas direita e esquerda e na região de flancos, também em ambos os lados.
Observações: Paciente apresenta telangectasias na porção superior externa das coxas direita e esquerda.
Sangria: realizada com uma lanceta, para puncionar o trajeto da estria, promovendo a liberação de Xué e ativação do Qi.
Ventosa: utilizada logo em seguida da sangria, para aumentar a sua ação.
Todas as sessões foram fotografadas, no inicio, durante e no termino das sessões.
Para verificar a evolução do tratamento foram comparadas as fotos tiradas durante as sessões e relato do paciente.
Resultado: Na primeira sessão foi realizada a avaliação estética, observando estrias localizadas na região de flancos e porção superior externa da coxa, conforme demonstrado na Figuras.
Primeira Sessão
Avaliação da Estria
Estrias na região de flanco.
Estrias na porção superior externa da coxa (culote).
Após a avaliação iniciou a aplicação segundo a metodologia do estudo:
– O primeiro passo foi a assepsia local com álcool 70% e em seguida foi realizada a sangria nas regiões de flanco e porção superior externa da coxa.
Aplicação da sangria.
As figuras seguintes mostram os resultados após a sangria
Estrias após a realização da sangria – região de flancos.
Estrias após a realização da sangria – na porção superior externa da coxa (culote).
Após a sangria foi realizada a aplicação da ventosa
Aplicação da ventosa em sucção nas estrias após a sangria.
Após a aplicação da sangria e ventosa a paciente relatou:
– dor durante a realização da sangria;
– ardência na aplicação da ventosa;
E foi observado
– edemas e hiperemia local após a aplicação,
– Hematomas em média por 4 ou 5 dias.
Edema e hiperemia após aplicação da sangria e ventosa.
Hematomas apresentados pela paciente entre as sessões.
Nas sessões subseqüentes foi realizada a mesma metodologia, com o acréscimo da aplicação local de xelocaina, sendo assim, a paciente relatou uma melhora na dor, com incomodo durante a sessão.
Foi orientado a paciente utilizar um creme com calêndola, durante o intervalo das sessões, para auxiliar na cicatrização.
Resultados da Quinta Sessão
Antes de iniciar a quinta sessão, foram retiradas fotos das regiões externa da coxa e flancos, onde foi observado uma melhora nas estrias
Estrias na porção superior externa da coxa (culote).
Estrias na região de flancos.
Na quinta sessão foi realizada a mesma metodologia:
– Assepsia do local com álcool 70%.
– Sangria nas regiões com estrias ( região de flancos e porção superior externa da coxa).
– Ventosa nas regiões de sangria.
Na Figuras seguintes, pode-se observar o trajeto das estrias após a aplicação da sangria, enfatizando a hiperemia ao redor das mesmas, ocorrendo a ativação do sangue e removação da estagnação de Qi e Xue.
Estrias após a sangria – região de flancos.
Estrias após a sangria – porção superior externa da coxa (culote).
Pode-se observar a potencialização do efeito da sangria, com a aplicação da ventosa.
Aplicação de ventosa, após a sangria.
Resultados após oTérmino do Tratamento
Após um mês do termino das cinco sessões, foi realizada mais uma sessão apenas para avaliar e fotografar os resultados das aplicações nas regiões de flanco e porção superior externa da coxa, notando se uma melhora satisfatória nas estrias.
Região de flanco
Porção superior externa da coxa (culote)
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Embora a amostragem deste estudo seja pequena, os resultados obtidos mostraram-se de valia para o tratamento da estria.
A área da estética em acupuntura pode se beneficiar com a proposta de tratamento com a sangria e a ventosa nas estrias pardas.
Concluímos que, o trabalho com a paciente que apresentava estrias brancas na região de flancos e porção superior e externa da coxa, mostrou-se de grande importância, pois não foram encontrados artigos científicos e nem literaturas específicas. Portanto, novos estudos tornam-se necessários para proporcionar novos conhecimentos sobre o tratamento de estrias na medicina chinesa.
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